Veja a entrevista do Gabriel, o cara revelou muitas coisas, com certeza é um bom jogador e merece oportunidades, só assim veremos se ele ta ruim ou bom, e se voltar a jogar o que sabe será muito bom para o Grêmio.
Zero Hora — Por que você não joga há tanto tempo?
Gabriel — O Luxemburgo prefere outros jogadores,
isso ele já me disse. Depois que divulgou a lista da Sul-Americana,
falou que tinha respeito por mim, mas não ia me inscrever porque eu não
me encaixava no perfil dele. Tanto que utilizou o Pará e o Tony. Depois
teve mais uma oportunidade de me inscrever e aí colocou o Julio Cesar,
que recém estava voltando de lesão.
ZH — Como você ficou sabendo que estava fora da Sul-Americana?
Gabriel — Só vi quando ele divulgou a lista. Quando o
Luxemburgo chegou e trouxe o Pará, eu sabia que ia querer colocar o
jogador dele. Depois ainda veio o Tony, que ninguém conhecia, e me dei
conta que minhas chances diminuiriam. Mesmo sabendo que não ia ter
oportunidade, continuei trabalhando ainda mais.
ZH — Em algum momento o Luxemburgo disse que você não joga mais com ele?
Gabriel — Não com essas palavras, mas não me inscreveu na Sul-Americana com esse argumento do perfil. Para bom entendedor...
ZH — Qual a diferença entre o teu perfil e o que o Luxemburgo prefere?
Gabriel — O estilo de jogo que ele gosta não combina
com o meu. Ele prefere o Pará, que não fez nenhum gol neste ano
(Gabriel fez dois no Gauchão). Eu fui o lateral que mais fez gols em uma
edição de Brasileiro de pontos corridos (marcou 16 pelo Fluminense em
2005). Meu estilo de jogo é agressivo, vou para dentro e faço gol. Teve
um jogo que o Luxemburgo disse para que eu não jogasse por dentro,
porque eu não ia fazer gol. Quem vai marcar é o Moreno, é o Kleber,
dizia ele.
ZH — Existiu algum atrito entre vocês dois?
Gabriel — Nunca aconteceu briga nenhuma. Eu nunca
reivindiquei oportunidade na imprensa. O que vale é o jogador ter a
chance no treino e se firmar no jogo. Sou profissional há 12 anos e
sempre busquei titularidade assim. Nunca tive de falar nem bem e nem mal
de ninguém.
ZH — Então não há nenhum outro motivo, além de critério técnico?
Gabriel — Pode perguntar para qualquer um lá dentro:
jogador, segurança, preparador físico. Não tem uma vírgula para falar
de mim. Sou profissional como tem de ser, como sempre fui. Mas em 2012
eu já fiquei fora dos planos. Para 2013 já me disseram que também não
estou.
ZH — De onde vem motivação para seguir no clube?
Gabriel — Continuo trabalhando pela minha família. É
dali que eu tiro força de vontade. Que outra motivação que eu vou ter
sabendo que eu não vou jogar, ficando fora até de coletivo? Eu converso
muito com o Kaká. Ele viveu uma situação mais ou menos parecida no Real
Madrid. E ele sempre me diz que só com trabalho que as coisas acontecem.
Uma hora a bola fica redonda e a tranquilidade volta a aparecer.
ZH — Você quer ficar ou sair do Grêmio?
Gabriel — Tenho um ano e meio de contrato ainda (até
junho de 2014), e pretendo cumprir até o final. Eu quero ficar, mas eu
não sou benquisto. Não é de hoje. Não por parte da torcida e da
diretoria, mas o Luxemburgo não me quer no Grêmio. Tentaram me dar
férias um mês antes de acabar o Brasileirão e não aceitei. Eu sou
profissional, dependo do meu corpo. Como eu vou ficar de férias por dois
meses? O Luxemburgo me levava para os jogos e depois me cortava. Eu
sabia que não ia jogar na inauguração da Arena e em nenhum outro jogo.
ZH — Você só voltaria a jogar no Grêmio se o Luxemburgo saísse?
Gabriel — Isso não tenho como te dizer.
Provavelmente sim. Eu tinha o sonho de trabalhar com esse cara, era fã
dele. Mas, profissionalmente, não bateu. Isso não é nenhum bicho de sete
cabeças. Não bateu, como aconteceu com ele em outros clubes e com
outras pessoas. E a vida segue. Sou maduro o suficiente para entender
que ele prefere outros jogadores.
ZH — Que saída você vê para essa situação?
Gabriel — Me reapresento normalmente no dia 3
(amanhã). Se o Grêmio não quiser que eu fique, me pagam a rescisão e vou
jogar em outro lugar. Caso contrário, vou jogar no Grêmio, ou treinar,
até o final do contrato.
ZH — Você recebeu proposta para deixar o Grêmio?
Gabriel — Isso eu não posso abrir, existe muita
especulação. Até que o Grêmio, meu empregador, defina se vou ser mandado
embora ou se vou ser utilizado, não vou conversar com ninguém.
ZH — Você tinha falado que existiam equipes de São Paulo e do Rio interessadas.
Gabriel — Falei que tinha especulações de clubes e
acabaram distorcendo. Ligaram do Rio e de São Paulo para o meu advogado
para falar com ele. Acaba que fica por isso. Enquanto eu não decidir a
minha situação no Grêmio, não posso fazer nada. Não é algo fácil para
que eu saia do Grêmio hoje. Nem pela minha parte, nem pela parte do
clube.
ZH — E aquela declaração de que "sai do Grêmio se encontrar coisa melhor"?
Gabriel — Quando falo em coisa melhor, digo que o
Grêmio é um clube de primeira. Que arca com suas responsabilidades.
Quando vim para o Grêmio, vim por essa proposta. Digo hoje que o Grêmio é
top. Eu só saio do Grêmio se tiver alguma coisa melhor. Mas achar coisa
melhor que isso no Brasil não é fácil.
ZH — A torcida critica seu salário.
Gabriel — Felizmente joguei em time grande a vida
inteira. Então, esse salário que dizem ser um absurdo (R$ 220 mil) é
mais ou menos o que eu ganhava com 19 anos no São Paulo. É compatível
com o que estou valendo hoje no mercado. Tinha proposta de outros clubes
na época da minha renovação. E eu ganhava mais na Grécia. Abri mão de
muito dinheiro lá para vir para o Grêmio. Isso ninguém fala. E o
dinheiro que ficou lá, que não tem volta? Fiz por merecer esse salário.
No Fluminense, no Cruzeiro e no São Paulo era uma faixa semelhante.
ZH — Que recado tu deixas para a torcida?
Gabriel — Nenhum problema desses é maior que o
Grêmio. O Grêmio tem um ano maravilhoso pela frente, com a Arena nova e a
Libertadores. Então, que tudo de melhor aconteça para o Grêmio.
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